Gastronomia

ARA: o restaurante de Pinheiros onde a sobremesa é o prato principal

Mariana CrenitteMC

Mariana Crenitte

22 de agosto de 2026·2 min de leitura

E se a sobremesa, tradicionalmente relegada ao fim da refeição, fosse o prato principal? Foi essa pergunta que moveu o chef pâtissier Rodrigo Ribeiro a criar o ARA, em Pinheiros — o primeiro restaurante do Brasil dedicado exclusivamente a sobremesas empratadas.

Uma ideia trazida de Berlim

Inspirado por sua passagem pelo Coda, restaurante de duas estrelas MICHELIN em Berlim, Ribeiro trouxe ao país um conceito já consagrado em cidades como Nova York. Batizou a casa com uma palavra tupi-guarani que significa "tempo", em homenagem à sazonalidade, à brasilidade e ao cuidado que cada criação exige.

Nada chega pronto à mesa

Com balcão de madeira maciça e cozinha aberta, o ARA monta cada doce na hora, diante do cliente — até o brigadeiro é enrolado segundos antes de ser servido.

O resultado são sobremesas que fogem do óbvio: contrastes de acidez, amargor e crocância substituem o excesso de açúcar, e ingredientes brasileiros ganham protagonismo. É o caso do Terrário, criação mais icônica da casa — uma ganache de chocolate intenso com sálvia, cogumelo e gel de cambuci. Virou queridinho das redes sociais e um dos motivos que fazem o cliente voltar a cada troca de cardápio, que acontece a cada três meses.

Como funciona a visita

O ARA oferece menus degustação, incluindo uma versão completa com cinco sobremesas, cinco chocolates e uma bebida. Também é possível pedir à la carte: sobremesas empratadas, brigadeiros, cookies e brownie.

Além do balcão

O trabalho de Ribeiro não fica restrito às paredes do restaurante. Ele assinou o menu doce do QT Pizza Bar, com criações como o QTMISÙ 2.0, e seu ovo de Páscoa em parceria com o restaurante Mapu — uma casca de gergelim preto que esconde ganache e caramelo de shoyu — chamou atenção em degustação da Forbes.

Mais do que um restaurante, o ARA é um manifesto: o de que a confeitaria brasileira pode e deve ser tratada com a mesma seriedade de qualquer prato de alta gastronomia — sem industrializados, valorizando produtores locais e frutas da estação como jabuticaba, cambuci e maracujá.