Chefs Week Rio 2026: quando o Rio vira capital gastronômica do Atlântico
De 25 de julho a 2 de agosto, a primeira edição latino-americana do festival reúne Vítor Matos, Thomas Troisgros, João Paulo Frankenfeld e Alberto Morisawa em banquetes, masterclasses e roteiros por Rio, Niterói e Serra Fluminense
Nove dias. Oito chefs. Dois países. E uma cidade que há muito merecia um evento à altura da sua ambição gastronômica.
De 25 de julho a 2 de agosto de 2026, o Rio de Janeiro recebe a primeira edição latino-americana do Chefs Week — festival internacional que já passou por Portugal e que agora atravessa o Atlântico com uma programação que se estende muito além dos restaurantes da Zona Sul. O evento, organizado pela revista Gula, com apoio do Turismo de Portugal, da ViniPortugal e da Câmara Municipal do Porto, é mais do que um calendário de jantares estrelados: é uma declaração sobre onde a gastronomia do Rio quer chegar.
Porto chega ao Rio — e o Rio recebe com tudo
A cidade do Porto é a convidada internacional desta edição, um detalhe que não é fortuito. Foi exatamente o Rio de Janeiro quem esteve no centro do primeiro banquete da Chefs Week quando o festival estreou em Lisboa, em outubro de 2025, no Palácio Nacional da Ajuda — com João Paulo Frankenfeld representando a cozinha carioca em solo europeu. Agora a relação se inverte, e Porto desembarca no Rio com seus melhores chefs.
À frente da delegação portuguesa vem Vítor Matos, o chef mais estrelado de Portugal. Com formação em Neuchâtel, na Suíça, e uma carreira de quase 30 anos, ele acumula seis estrelas Michelin distribuídas entre restaurantes como o Antiqvvm (duas estrelas, Porto), o Blind (Porto), o 2Monkeys (Lisboa), o Oculto (Vila do Conde) e o Schistó (Peso da Régua). Também confirmados pelo lado português estão o chef João Oliveira, do Vista (Algarve, uma estrela Michelin); o chef Pedro Lemos, do restaurante homônimo no Porto (uma estrela); a chef Marlene Vieira, do Marlene em Lisboa; e o referente da gastronomia lusitana contemporânea Vítor Sobral.
Os anfitriões cariocas
Do lado brasileiro, a programação não decepciona. Thomas Troisgros traz consigo o peso e a leveza simultâneas de seu Oseille, em Ipanema — o restaurante de apenas 16 lugares que, em menos de um ano de funcionamento, conquistou uma estrela Michelin com seu conceito de fun dining: menu degustação elaborado, trilha sonora escolhida na hora, e a combinação de técnicas clássicas francesas com ingredientes brasileiros. Filho de Claude e neto de Pierre, Thomas encontrou no Oseille sua voz mais autoral.
João Paulo Frankenfeld, da Casa 201 (Jardim Botânico, uma estrela Michelin), é outro nome central. Formado na escola de Paul Bocuse em Lyon, ele comanda um dos endereços mais intimistas e rigorosos do Rio — um espaço para até 30 pessoas, só com reservas, que já representou o Brasil em banquetes internacionais em Lisboa. Alberto Morisawa, chef do Mee, no icônico Copacabana Palace — um dos espaços confirmados no roteiro do festival —, completa o trio de pesos pesados cariocas. O chef Alexandre Henriques, ligado a um projeto gastronômico de destaque em Niterói, representa a expansão do evento além da capital.
Uma programação que vai além do jantar
O Chefs Week Rio não é um festival de fine dining encastelado. A proposta é deliberadamente territorial: a programação se espalha pelo Rio de Janeiro, Niterói e Serra Fluminense, incorporando vinícolas da região em roteiros de enoturismo e experiências ligadas à cultura fluminense. Além dos banquetes exclusivos, a grade inclui wine experiences, masterclasses, fóruns, harmonizações e roteiros gastronômicos — um formato que o festival já testou em Lisboa, onde criou uma rota por restaurantes da cidade em paralelo aos grandes jantares.
O Copacabana Palace, um dos endereços mais emblemáticos do país, está entre os espaços confirmados para receber parte da programação. É o tipo de cenário que diz muito sobre as ambições do evento: nada de improvisar.
Por que isso importa agora
O Rio já tinha seus trunfos gastronômicos — o Lasai com duas estrelas Michelin, o Oro, o Oseille, a Casa 201. Mas o que faltava era um festival que costurasse tudo isso numa narrativa internacional, que trouxesse chefs de fora para dialogar com os locais e que mostrasse para o mundo que a cidade não é só praia e samba.
Chegar em julho não é coincidência. O verão olímpico de 2026 coloca o Rio sob holofotes globais, e o Chefs Week surge num momento em que a cidade tem o máximo de visibilidade. O apoio das prefeituras de Niterói, Maricá e Areal, além da Secretaria de Estado de Turismo do Governo do Estado, sinaliza que este não é um evento privado: é uma aposta coletiva no posicionamento do Rio como destino gastronômico global.
Para quem quer participar, o conselho é não deixar para a última hora. Os banquetes exclusivos têm vagas limitadas, as masterclasses costumam esgotar antes do que se imagina, e o roteiro por Niterói e Serra Fluminense pode exigir planejamento logístico. A programação completa ainda será divulgada nos canais oficiais do evento.
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Restaurantes neste artigo

Oseille
Thomas Troisgros's Michelin-starred restaurant in Ipanema, primary chef participant in the festival
Ipanema, Rio de Janeiro

Casa 201
João Paulo Frankenfeld's Michelin-starred restaurant in Jardim Botânico, primary chef participant
Jardim Botânico, Rio de Janeiro

Restaurante Mee - (Copacabana Palace)
Alberto Morisawa's restaurant at Copacabana Palace, primary chef participant
Copacabana, Rio de Janeiro
Fontes
